Como descrever o time do
Palmeiras de 1999 sem falar das suas famosas bolas aéreas? Para se ter uma
ideia do gosto deste time em bolas levantadas, na finalíssima da Libertadores
contra o Deportivo Cali, o time de Felipão havia levantado 12 bolas na área
adversária em 33 minutos e realizou 11 jogadas de linha de fundo no jogo todo.
Além destes dados estatísticos, esse Verdão de 1999 era armado taticamente e
reconhecido pela utilização de cruzamentos.
Para a realização de tantos
cruzamentos, os laterais alviverdes eram as primeiras peças do sistema
ofensivo. Estes jogadores de lado da linha defensiva, frequentemente, se
alternavam de acordo com o lado que o time estivesse atacando. Mas quando a
equipe estivesse perdendo ou quando o time adversário deixava somente um
atacante sem fazer a recomposição defensiva, os dois laterais do Palmeiras
subiam simultaneamente. Veja nos dois próximos flagrantes, as movimentações
táticas anteriormente descritas:
Para que os laterais pudessem subir, o losango do meio de
campo mudava para um quadrado e, assim, abriam os lado para que os jogadores de
lado da linha defensiva iniciassem os primeiros movimentos ofensivos. Esta
mudança de forma geométrica do meio de campo acontecia com o meia central mais
a subida do jogador do lado do losango de acordo com o lado que a jogada estava
sendo desenvolvida. Ou seja, se a jogada estava sendo iniciada pelo lado
direito, o lateral direito ia ao ataque junto com o meio campista do lado
direito do losango. Este último formava o segundo de dois do meio com o meia
central da equipe. Observe pelos flagrantes a exposição destas movimentações:
Além desta mudança para de
um losango para um quadrado no meio de campo, quando o lateral alviverde já
estivesse em campo ofensivo, o meio-campista - que “mudou” a forma geométrica -
passa a realizar a dobra ofensiva pelo lado com este lateral. No momento desta
movimentação, o meia central inicia o seu trajeto para o centro da área
adversária. Esta movimentação do meia central foi fundamental para o Palmeiras
ter a maior força nas bolas cruzadas. Veja nos flagrantes a seguir, imagens
destas movimentações táticas descritas anteriormente:
Esta movimentação do meia
central fazia com que o Palmeiras ocupasse todas as “três” regiões onde uma
bola cruzada poderia cair: a primeira trave, o centro da área e a segunda
trave. Com os dois atacantes, cada um ocupando o setor de uma trave, e o meia
central, vindo de trás para ocupar o centro da área, as bolas levantadas
frequentemente acertavam um deles. Este posicionamento ocupando as três regiões
da área era tão treinada, que mesmo sem um dos jogadores ocupando um dos
setores, sempre havia outro para ocupá-lo. Analise pelos flagrantes adiante:
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Com
a bola sendo cruzada pela direita, Oséas ocupa a região da primeira trave,
Alex, do centro da área e Paulo Nunes, da segunda trave (Reprodução: Rede
Globo).
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Agora
sem Paulo Nunes por perto, Zinho se projetou ao centro da área enquanto que
Alex se projetou para a primeira trave adversária (Reprodução: Rede Globo).
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Tamanha era procura de
cruzamentos desse time, que não era difícil perceber que as substituições
realizadas por Felipão eram com intuito de ter ainda mais gente na área
adversária. Tanto que em jogos como contra o Manchester United no Mundial de
Clubes e contra na derrota pelo Vitória no Campeonato Brasileiro de 1999, as
entradas dos novos jogadores fizeram “povoar” ainda mais a área do time
adversário. Mas mesmo com estas substituições, a ordem no posicionamento dos
jogadores era mantida.
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Já
contra o Manchester United e com o placar desfavorável, Evair se projetava na
primeira trave, Oséas e Paulo Nunes para o centro e Asprilla ia para a segunda
trave (Reprodução: TyCSports).
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Além destas substituições
com intuito de “povoar” mais a área adversária, Luiz Felipe Scolari também
procurava manter o sistema ofensivo organizado. Uma vez que este sistema tinha
como intenção as subidas e os ataques pelos lados, a procura de dobra ofensiva
para facilitar o cruzamento e a ordem de posicionamento dos jogadores dentro da
área adversária, a entrada de um “terceiro” atacante frequentemente acontecia.
Este “terceiro” atacante
entrava aberto para um dos lado e fazia com que Paulo Nunes ficasse fixo pelo
outro lado. Com “três” atacantes, a dobra ofensiva com o lateral acontecia com
um destes atacantes em vez dos jogadores dos lados do losango do meio de campo.
Observem pelos flagrantes a seguir:
Por Caio Gondo (@CaioGondo)