terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Fim de semana europeu: Bayern, Lazio, Inter e o grande jogo inglês no nosso compilado

No último final de semana antes do Natal, que se estendeu até a segunda-feira, a Europa voltou a ver uma grande e completa atuação da Lazio, uma derrota da Inter, outra vitória controladora do Bayern de Munique e uma grande partida envolvendo Arsenal e Manchester City. Tudo aqui no resumão.

Sábado (19/12/2015)

Hannover 96-Bayern de Munique (0-1)

'Pep' Guardiola optou por começar num 3-4-3 (5-4-1 ao defender) e manter os detalhes mais usais de tais variações: pontas (Vidal-Müller) por dentro, alas (Coman-Rafinha) gerando largura, zagueiros-laterais (Badstuber-Javi Martínez) prolongando as conduções, um meio-campista preso (Xabi Alonso) para ser opção de passe atrás da bola e um solto (Thiago) para facilitar o circular da redonda e ativar os colegas. Porém, a equipe só passou a criar quando bagunçou isso, invertendo posições, trocando uma pressão alta estática por algo sufocante, elevando velocidade e precisão nos passes para aproveitar os erros rivais - neste período, fim da 1ª parte, houve o gol. A 2ª trouxe de novo o controle lento e marcado pela fuga do desgaste físico, cenário dominante nos primeiros 45', mantendo o Hannover superado até o fim. Vale destacar a percepção de 'Pep' e sua trupe, que viram o vácuo entre os blocos de marcação oponentes e voaram a um 4-2-3-1 com muitos por ali, para explorar isso.

Um ataque do Bayern e consequente momento defensivo do Hannover (Arte: Lucas Martins)
A principal cartada de Guardiola na 2ª parte (Arte: Lucas Martins)
Desde um 4-2-3-1 (4-4-1-1 ao negar espaços), o Hannover até exibiu bons ideias defensivos e pôde competir enquanto o Bayern dosou a degradação de suas pernas. Apesar de ter oscilado em constância, cedendo espaço entre as linhas de marcação e por vezes girando mal para o lado onde se concentrava a jogada adversária, o time de Michael Frontzeck também chegou a criar vantagens numéricas ao redor da pelota, tapar alternativas de passe e dizer "não" a subidas dos de Munique - nada que não caísse quando Guardiola e companhia aumentaram a intensidade das ações. Ofensivamente, os contragolpes foram mortos ao nascer devido às habituais pressões bávaras após as perdas de bola; e todas as tentativas de construir jogo de trás acabavam no pressing inimigo. No 2º tempo, o nível de concentração caiu, a posse virou um sonho distante, os desarmes deixaram de existir e os companheiros de Salif Sané presenciaram outros três pontos na conta do Bayern.

Domingo (20/12/2015)

Inter-Lazio (1-2)

A partir de um 4-2-3-1 (4-4-1-1 sem a bola) já conhecido, a Inter teve um 1º tempo ofensivamente atolado, onde foi incapaz de quebrar a intensidade física romana mesmo rodando a bola velozmente, colocando vários à frente e movendo-se bastante para oferecer linhas de passe ao detentor da pelota. Porém, o caos esperado não foi criado e Medel-Felipe Melo cansaram de dar passes horizontais, sem possibilidade de avanço. Isso só começou a mudar na 2ª etapa, quando 'Mancio' alterou peças, empurrou a Lazio de vez e vazou Berisha com Icardi. Antes, entretanto, para conseguir espaços, os laterais interistas tiveram liberdade para 'ler' os movimentos dos extremos e compensar isso - quando um estava por fora, o outro vinha por dentro e vice-versa. No fim, com boa parcela de culpa de Melo, os milaneses perderam. Interessante o crescimento desta Inter mais arrojada, que sobe vários homens ao mesmo tempo e tem ganhado argumentos coletivos e particulares para verticalizar. Não deu 100% certo no domingo, mas Mancini constrói o time de trás para frente e melhora.

Detalhes do primeiro gol do cotejo (Arte: Lucas Martins)
Pressing biancoceleste sobre a saída interista (Arte: Lucas Martins)
A Lazio compôs o clássico 4-3-3 (4-1-4-1 sem a posse) de Pioli, mostrando muita crença no planejamento, ajudado pelo gol aos 5'. Este pregava pouca construção de jogo por baixo e desde os zagueiros, liberando lançamentos para Matri e Milinkovic-Savic afim de evitar perdas de bola atrás; tinha os grandes argumentos ofensivos nos desequilíbrios e autossuficiência de Candreva-Felipe Anderson, fora as associações de Konko; ordenava uma brutal e constante sagacidade, apertando qualquer rival que se aproximasse mais da área; alternava entre pressões no campo oponente e recuos para contra-atacar. Ostentando várias exibições individuais sólidas, o plano geral funcionou no 1º tempo, quase possibilitando um placar maior. No 2º, a ampla superioridade durou cerca de 13', mantendo as coisas equilibradas depois e mostrando a capacidade competitiva laziale posteriormente ao empate. O triunfo no final, marcado pelo segundo gol de Candreva, coroou tudo.

Segunda-feira (21/12/2015)

Arsenal-Manchester City (2-1)

O Arsenal foi a campo no seu costumeiro 4-2-3-1 que vira 4-4-1-1 nos instantes defensivos. O plano inicial londrino, que envolvia poucos recuos dos homens mais ofensivos à base das jogadas para tê-los fixando marcadores e assim impedir que estes avançassem para pressionar, deu uma responsabilidade grande demais para Flamini-Ramsey, falhos ao tentar, de forma solitária, fazer o conjunto pisar no campo azul em boas condições. Assim, até os 35' e gol de Walcott, os Gunners trocaram inúmeros passes horizontais ou erraram ao verticalizar e deram contragolpes ao City - não haviam alternativas de avanço, realmente. O 'achado' 1-0, contudo, deu a possibilidade de esquecer a construção demorada, de juntar gente atrás afim de realizar roubos e contra-atacar. Quem tem Özil, Theo e Campbell não desperdiça isso, então desta forma viveu o próspero time de Wenger até o final, só perdendo controle e chances nos últimos 15', pela usual baixa capacidade de desarmar.

Debilidades ofensivas iniciais do Arsenal e o fator Yaya (Arte: Lucas Martins)
Momento de um contra-ataque do Arsenal (Arte: Lucas Martins)
O City deu corpo a seu 4-2-3-1 (4-4-1-1 na fase defensiva) já famigerado e foi melhor nos 35' inaugurais, mantendo-se sem a redonda, dominando um débil Arsenal a partir daí. Neste período, a ordem foi apertar apenas perto da metade de defesa, permitindo um certo ganho de altura para só então pressionar - e, não fosse Özil às costas famosas de Touré, poderia ter dado 100% certo. De qualquer jeito, isso ofereceu ocasiões de gol a uma equipe que, em relação ao que faz semanalmente, acelerou mais os passes a teve ações mais agudas. Sem marcar no grande momento de superioridade, os de Manchester estiveram intranquilos do gol de Walcott até por volta dos 65', sendo imprecisos e agora sofrendo com os contra-ataques, antes favoráveis. Depois disso, foi possível empurrar os londrinos contra Cech e, mesmo não possuindo argumentos verticais o bastante, diminuir a conta no golaço de Yaya. Que até gerou um burburinho, nada que permanecesse até o apito derradeiro.

Por Lucas Martins (@0MartinsLucas)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Barcelona derruba muralha da China e se garante na final do Mundial

O Barcelona chegou ao Japão como o grande postulante ao título da Copa do Mundo de Clubes da FIFA. E não é pra menos, o clube é disparadamente o líder técnico da competição. Mesmo sem Messi (cólica renal) e Neymar (poupado no banco por lesão no músculo adutor da coxa), o clube blaugrana chegou com amplo favoritismo diante do Guangzhou Evergrande da China, time comandado por Felipão e que conta com uma legião de brasileiros. O time chinês já havia disputado em 2013 a Copa do Mundo de Clubes no Marrocos, perdendo, por 3 a 0, na semifinal para o Bayern, após eliminar o Al-Ahly na primeira fase. O mesmo ocorreu nessa temporada, onde o time eliminou na primeira fase o América do México e perdeu pelo mesmo placar para o Barça, também na semifinal. Com uma invencibilidade que perdurava desde maio desse ano, o Guangzhou chegou como franco atirador, enfrentando o atual campeão da Champions League e todo poderoso Barcelona vivendo um momento “confuso”, há três jogos a equipe não vencia, mas também não perdia. O Barcelona veio escalado da seguinte maneira: Bravo; Daniel Alves, Mascherano, Piqué e Alba; Busquets, Rakitic e Iniesta; Sergi Roberto, Munir e Suárez. E o Guangzhou com: Li, Linpeng, Feng, Kim e Zou; Bowen, Paulinho, Zhi e Long; Ricardo Goulart e Elkeson.

Barcelona no 4-3-3 e Guangzhou no 4-4-1-1
O jogo iniciou com o Guanghzou fazendo marcação em bloco médio e rapidamente descendo-o de acordo com a progressão blaugrana. As referências eram a bola, os adversários e o espaço, deixando os companheiros como último ponto, caracterizando uma zona pressionante, diferente da zona clássica.

O Barcelona muito estático com apenas algumas movimentações protocolares. Sergi Roberto centralizava e Alba dava amplitude pelo lado esquerdo. Pelo lado direito, Munir dava amplitude, enquanto Daniel Alves se posicionava no meso-espaço. Rakitic e Iniesta procuravam explorar o entrelinhas, mas encontravam dificuldades devido as referências mais individualizadas do que espaciais da equipe chinesa pelo centro do campo. Busquets procurava jogar as costas de Elkeson, mas era constantemente pressionado por Goulart, que ora saía na pressão sobre os zagueiros fechando a linha de passa para Busi, ora compensava encaixando no volante culé. Quando o ex-Cruzeiro saía na pressão, Elkeson, por vezes, compensava e encaixava em Sergio.

As referências individuais pelo espaço ficavam mais claras com os encaixes pelos lados do campo, onde Bowen retornava em função de Alba e Long em função de Daniel Alves, o segundo flutuava pelo centro em busca do lado forte, já o primeiro tinha um ponto referencial mais baseado no lateral-esquerdo do Barcelona. As perseguições na última linha eram constantes, usualmente médias, mas podendo ser curtas, procurando sempre respeitar o setor. 

4-4-1-1 do Guanghzou, zona pressionante e compactação. Perseguições médias e curtas na última linha. Referência posicional: bola. Referências-alvo: espaço e adversário. No centro do campo, os companheiros também serviam como referência-alvo secundário.
Referências de espaço e adversário nas laterais com Long formando uma teórica linha de 5, devido a aproximação de Dani.
Diante de tal situação, o Guangzhou não ameaçava e a cada minuto que se passava era mais acuado no campo de defesa. Apenas as tentativas transicionais com Elkeson e Goulart não bastavam para a equipe chinesa ameaçar Bravo.

Já o Barcelona buscava alguma forma de entrar na defesa chinesa, e encontrou em um Iniesta inspirado a solução. Primeiro com uma linda bola no espaço para Munir parar no goleiro Li e na segunda vez numa trama onde chegou a linha de fundo e colocou na cabeça do jovem espanhol, que finalizou para fora. Os espaços começaram a aparecer, e o Barcelona procurava aumentar o volume de jogo. Uma fatalidade aos 32 minutos tirou Zou do certame, em seu lugar entrou Xuepeng.

O jogo continuou numa espécie de ataque contra defesa e aos 38 minutos, Rakitic recebeu com certa liberdade e arriscou de fora da área, Li espalmou e Suárez abriu o placar conferindo o rebote. O gol mostrou um caminho até então inexplorado pelo Barcelona, o conceito de atração, muito comum nos tempos de Guardiola. Alba atraiu com a condução central a marcação de Bowen e Zhi, devido ao sistema de marcação do Guangzhou, Long não fechava e se mantinha encaixado em Daniel Alves. Com o espaço gerado, Rakitic se aproveitou e chutou com tempo para se equilibrar.

Após o gol, o Guangzhou se lançou ao ataque e chegou por meio de bolas paradas. Elkeson quase empatou aos 40 numa cabeçada após falta cobrada pelo lado direito, Bravo apareceu bem e evitou o gol. O time chinês buscou subir nas transições e conquistou uma sequencia de escanteios, onde criou alguns riscos para o time azul-grená. 

Raro momento do Barcelona marcando em bloco baixo. Conceitos como pressão sobre a bola e compactação muito bem trabalhados por Luis Enrique e percebemos um 4-1-4-1 estruturado. Pouquíssimas linhas de passe e adversário, com a bola, muito mal orientado (costas pro jogo).

No segundo tempo, mais do mesmo. Um Barcelona proativo buscando encontrar os espaços e um Guangzhou esperando uma oportunidade ou erro da equipe espanhola para buscar o empate. A diferença foi o volume de jogo dos blaugranas, que procurou criar profundidade e ganhou em mobilidade, atacando a última linha com ferocidade, característica da equipe perdida no primeiro tempo.

Não demorou muito para Suárez fazer 2 a 0. Mascherano atraiu a marcação de Bowen, fazendo-o se “despregar” de Alba, abrindo linha de passe. O lateral encontrou o apoio de Suárez que trouxe consigo em perseguição o zagueiro Feng. O uruguaio fez o passe para Iniesta que com muito espaço, devido à coordenação de movimentos, deu uma linda assistência para a movimentação fantástica de “El Pistolero”.

Aos 12 minutos, Long deixou o gramado e Yu entrou para buscar acrescentar velocidade à equipe que já perdia por 2 a 0. Mas aos 21 minutos do segundo tempo, Munir sofreu pênalti e novamente Suárez converteu e anotou um hat-trick, matando a remota esperança chinesa. Elkeson saiu para a entrada de Gao Lin.

Após o terceiro gol, o time catalão levou o jogo em “banho-maria”, claramente se poupando e se resguardando para a final. Munir aos 26 quase fez o quarto do Barcelona após bonita jogada e chute de fora da área. E foi também aos 26 que Luis Enrique iniciou os seus trabalhos de substituições, com a saída Sergi Roberto para a entrada de Sandro, depois aos 31, Alba deu lugar à Adriano e aos 35 minutos o dono do meio-campo Iniesta foi substituído por Samper.
Os minutos finais foram de relativa calmaria, o ritmo do jogo caiu naturalmente e o resultado acabou por ser o esperado. A invencibilidade de seis meses caiu, a muralha da China foi derrubada e o Barcelona se classifica para a final.

Estatísticas que ajudam expressar o que foi o jogo. 17 chances do Barcelona contra apenas 3 do Guanghzou.
Enquanto do outro lado, o River sofreu pra bater o Hiroshima, o time catalão “jogou pro gasto” e se garantiu na final da competição. Essa que acontece no domingo, às 8:30, no estádio de Yokohama.


Por Emanuel Serafim (@EmanuelFSerafim)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A aula de futebol coletivo do Sanfrecce Hiroshima!(Análise em imagens)

Panorama tático de Sanfrecce Hiroshima 3 x 0 TP Mazembe pelas quartas-de-final do Mundial de Clubes FIFA. Japoneses no 5-4-1, adotando proposta de jogo reativa/transicional, negando espaços ao adversário e buscando a saída em velocidade. Africanos no 4-2-3-1, com postura possessiva e propositora, mas tendo muitas dificuldades pra romper as linhas do sólido sistema defensivo do Sanfrecce. As características de jogo das duas equipes se intensificaram na segunda etapa, principalmente depois que os japoneses marcam seu segundo gol. O Mazembe foi com tudo após as substituições, deslocando Traoré pra lateral-esquerda, tendo Ulimwengu bastante aberto na ponta pela direita pra dar amplitude ofensivamente, apenas Diarra(com dois jogadores à sua frente projetando entrelinhas à frente da linha da bola) distribuindo o jogo e direcionando os ataques posicionais, Samatta jogando muitas vezes a partir do lado esquerdo do ataque, mas entrando bastante em diagonal sem bola pra ser opção na área junto a Bolingi, que entrou na referência do ataque. O Sanfrecce manteve sua proposta, com inteligência, saindo com qualidade de trás, trabalhando bem com a bola no pé e explorando os espaços que o TP Mazembe deixava para a puxada de transição adversária, já que o time africano ficava predominantemente muito exposto pelos lados e em inferioridade numérica(principalmente no flanco direito de sua defesa) e o time se recompunha de forma muito lenta, agravando ainda mais a situação. O Sanfrecce deu uma verdadeira aula de coletividade, organização e futebol moderno. Diante do River Plate, chega como azarão, mas depois do que os japoneses mostraram no play-off contra o Auckland City e diante do Mazembe, este que vos fala prefere não duvidar do Sanfrecce Hiroshima. 

Na saída de bola do Mazembe, os dois volantes mostravam-se presentes no campo defensivo e bastante participativos no início da construção de jogo. Laterais avançavam um pouco mais, com os wingers predominantemente bem abertos e dois jogadores mais centralizados ocupando os espaços entrelinhas. Porém, constantemente um dos homens mais avançados deslocava-se nos espaços entre as linhas defensiva e média adversárias para dar opção de passe ao portador da bola, principalmente os dois homens da faixa central(geralmente havia constantes aproximações entre os componentes do quarteto ofensivo por dentro). A verticalização de jogo geralmente ocorria com a procura do passe vertical entrelinhas dos dois volantes(que faziam a bola girar de um lado pro outro ofensivamente, davam opção de retorno bem posiconados na intermediária e sempre presentes em campo ofensivo para armar o time) pelo desmarque posicional(geralmente de Assalé, Samatta ou Singuluma), que muitas vezes atraía um membro da linha defensiva adversária para sair em perseguição/caça setorial e na maioria das vezes, o receptor do passe vertical acabava pegando de costas, sem espaços e tendo que optar pelo retorno, de modo a dificultar a posse progressiva da equipe e a ruptura da linha média japonesa. 

Na linha de 3 do 4-2-3-1 do Mazembe, Singuluma e Assale muitas vezes alternavam entre a esquerda e o centro, e na direita, Traoré procurava diagonais curtas ofensivamente para buscar tabelas curtas e incursões de fora pra dentro(jogo entrelinhas), de modo a gerar algumas aproximações entre os três na entrelinha adversária. E quando atuou mais por dentro, Singuluma buscava participação constante na posse, criando linha de passe na construção e muitas vezes vindo buscar jogo na linha dos volantes. Na primeira imagem, Traoré conduz do lado pro meio, Frimpong ataca o corredor, Assale e Singuluma aproximam ao centro da intermediária, Sinkala e Diarra dão opção de reinício mais atrás e Samatta flutua procurando desmarque posicional curto entre as linhas defensiva e média(na posição pra fazer a parede e com um membro da última linha adversária já pronto pra sair na caça setorial curta e diminuir o espaço), sendo opção de passe vertical entrelinhas, para Traoré. Essa foi uma das poucas vezes que o Mazembe conseguiu progredir no entrelinhas adversário com um de seus homens da linha de 3 pegando pra conduzir de frente pra linha defensiva adversária. Na segunda imagem, Frimpong tem a bola na proximidade da linha lateral pela direita, Assale movimenta entrelinhas e dá opção mais à frente no setor, atraindo o zagueiro daquele lado(linha defensiva do Sanfrecce trabalha em sistema de coberturas sucessivas), Traoré aparece como opção de passe curto no mesoespaço direito, Singuluma se projeta como opção ao centro, um pouquinho mais distante da linha média adversária, Diarra dá opção de retorno mais atrás pelo meio e Sinkala se projeta um pouco mais à frente ao centro. 

Inicialmente, o Mazembe buscava realizar pressão avançada na saída de bola do Sanfrecce Hiroshima, geralmente com a linha de 3 e Samatta fazendo pressão na bola(com o meia central muitas vezes marcando alto e praticamente se alinhando com o centroavante por dentro) e os volantes subindo encaixe quando os volantes adversários ou algum jogador avançado procurava(m) desmarque posicional pra dar opção de passe aos zagueiros quando estes eram os portadores da pelota na saída. Nessas subidas de pressão do Mazembe, o recurso de subida de encaixe também era usado pelos lados com o lateral perseguindo o winger quando este se apresentava pra dar opção ao início da construção. A linha defensiva até se adiantava na intermediária, porém, não o suficiente para manter a compactação entre os setores. Na verdade, eram as subidas de pressão dos volantes que dificultavam/impediam que o Sanfrecce conseguisse sair da pressão inicial adversária e ganhar espaço pra progredir e acelerar na transição ofensiva, e na segunda etapa, quando o meio-campo do Mazembe acabou se tornou praticamente vazio em fase defensiva e a transição defensiva da equipe do Congo ficou ainda mais lenta, ficaram notórios verdadeiros latifúndios entre as linhas defensiva e média dos comandados de Patrice Carteron. Descompactação total! Em fase de defesa organizada, os wingers não voltavam pelos lados do campo pra ajudar na proteção aos laterais ou demoravam muito nas raras vezes em que voltavam para dar algum auxílio. Desta forma, o Mazembe não fechava as duas linhas de quatro e o quarteto ofensivo passava a ter somente preocupações ofensivas/transicionais de acordo com a progressão adversária com a bola. Assim, pode-se dizer que na prática, apenas 6 jogadores(linha defensiva+os dois volantes) participavam ativamente dessa fase defensiva. 

Em escanteios defensivos, o Mazembe marcava individualmente no bolo da área, com dois jogadores marcando à zona na primeira trave. Nas duas últimas imagens, percebe-se a movimentação dos jogadores do Sanfrecce nos dois primeiros gols da equipe japonesa(sim, vieram de bola parada). No lance do primeiro gol, um jogador se desloca em diagonal curta para a primeira trave, ganhando na velocidade para o seu marcador e antecipando-se a um dos "homens da primeira trave" adversários para escorar pro meio da área de modo a desmanchar o sistema de marcação individual no bolo da área. Dois jogadores do Sanfrecce chegam na pequena área para a conclusão, sem o acompanhamento de seus respectivos marcadores e um deles coloca pro fundo das redes. No lance do segundo gol, um jogador do Sanfrecce que também está no centro da área, também se desloca em diagonal curta para a primeira trave, porém, fica sob responsabilidade de um dos homens que marca a zona, de modo a alterar a ordem de encaixes no bolo da área. Um dos jogadores se aproveita dessa mudança, se desloca sozinho no centro da área, antecipa e cabeceia pro fundo do gol. 

Em escanteios defensivos, o Sanfrecce Hiroshima marcava da mesma forma que o TP Mazembe: Individualmente no bolo da área e com dois jogadores na primeira trave. 

Na primeira imagem, observa-se o posicionamento defensivo do Sanfrecce Hiroshima no 5-4-1 em bloco baixo, em fase de defesa organizada. Linhas defensiva e média mantendo distância bastante curta entre si e ambas realizando corretamente o movimento de basculação defensiva, com o centroavante bem mais afastado, de modo a alongar um pouco mais a compactação da equipe(ele participava da compactação da equipe atrás da linha da bola durante a fase inicial de construção adversária, mas ia se afastando de acordo com a progressão adversária no campo defensivo do Sanfrecce). Linha média tendo referência de marcação zonal e linha defensiva trabalhando em coberturas sucessivas e utilizando de uma grande vantagem de ter linha de 5 atrás: Não precisar de compensações espaciais para ocasiões em que seus jogadores saem para caça setorial, já que fica-se com 4 jogadores mais atrás nessas ocasiões. E o Sanfrecce contava muito com essas caças, como percebe-se nas imagens, quando o centroavante e/ou o meia central flutuava(m) entrelinhas e se projeta para formar linha de passe ao possuinte da pelota, com um dos zagueiros deixando a linha defensiva para fazer o acompanhamento e tirar o espaço do receptor do passe(que já tinha a desvantagem de pegar de costas), de modo a dificultar/impedir progressão adversária entrelinhas. Isso também ocorria pelos lados, principalmente quando o winger adversário recuava ou procurava deslocamento curto pela beirada pra dar opção de passe ao homem da bola. Assim, o lateral do lado da bola subia o encaixe, zagueiro do lado da bola postava-se para eventual cobertura do flanco e o lateral do lado oposto fechava por dentro na linha defensiva junto aos zagueiros. Posicionamento defensivo do Sanfrecce era predominantemente bloco baixo, porém, por vezes, fazia uma pressão um pouco depois da linha que divide o gramado, com a linha média+o centroavante, e os volantes subindo o bote. Marcação japonesa fechava e ocupava muito bem os espaços do campo, dificultando qualquer fluidez da posse adversária. 

Jogo de transições foi o forte do Sanfrecce Hiroshima nessa partida. Foi assim que os japoneses mostraram sua força coletiva. Com organização, "correndo certo", tempo certo, aproveitando bem os espaços e a qualidade dos seus volantes na organização/articulação da transição, verticalizando o jogo, lançando e armando. Na primeira imagem, Douglas realiza o seu movimento preferencial em fase ofensiva: Afunilar no ataque, se juntando a Sato na referência e abrindo o corredor para Mikic, que atacava inteligentemente os espaços pelo flanco sem bola. Na situação em questão, ele tabela com Sato, que se desloca pra fazer a parede, o volante recebe e o próprio Douglas já se projeta em movimento de ruptura da defesa(postada em linha alta e totalmente descompactada) para receber o passe ruptor em profundidade. Na segunda imagem, Chajima se projeta por dentro e abre em Kashiwa que passa no corredor(percebe-se neste caso, a situação de superioridade numérica 2x1 pelo lado esquerdo do ataque do Sanfrecce, devindo à ausência de recomposição do extremo pra ajudar o lateral), Douglas faz a diagonal sem bola pra entrar como opção e Mikic aparece no corredor oposto dando amplitude na transição e sendo opção de virada longa. Na terceira imagem, Douglas novamente se projeta em ruptura e Mikic ocupa o corredor dando opção de abertura de jogada ao volante portador da bola, que novamente se caracteriza como volante passador, construtor. Na quarta imagem, Chajima vindo por dentro mais uma vez, Kashiwa com a bola na esquerda, Douglas e Sato dando opção na área e Mikic opcionando virada. Na última imagem, observa-se o lance do terceiro gol. Mais uma vez o conceito do volante passador. Organiza a transição, estica em profundidade pra Mikic receber no corredor, enquanto que Douglas, Asano(entrou no lugar de Sato) e Kashiwa chegam de trás pra ser opção de conclusão na área. Velocidade, inteligência e coordenação!


*Por João Elias Cruz(@Joaoeliascruzzz)




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Palmeiras vence a Copa do Brasil em sua melhor partida do ano

Com oito segundos o Palmeiras já teve sua primeira chance de gol no Allianz Park, com Gabriel Jesus, e a partir daí já podia se ver como seria a atuação alviverde na decisão, 4-2-3-1 em ritmo alucinante, procurando deixar o Santos não jogar, com maior força pela esquerda com Zé Roberto e a joia palmeirense infiltrando em diagonal, que mais tarde teve que dar lugar a Rafael Marques.

Dudu, um dos heróis do título com 2 gols, estava posicionado no centro da linha de três, mas com a bola ele se deslocava pelos flancos e Robinho, aberto pela direita, centralizava para articular, enquanto que Arouca e Matheus Sales não deixavam Lucas Lima jogar. 

O Santos, por sua vez, deixou de jogar no primeiro tempo. Fez a famosa "cera" e levou perigo a meta de Fernando Prass poucas vezes, na maioria das vezes quando os laterais subiam e os ponteiros se movimentavam, na infiltração de Victor Ferraz a trave foi carimbada.

Palmeiras e Santos no 4-2-3-1 no primeiro tempo. Time alviverde não abdicou de jogar e lutou para conseguir o título. (Reprodução: TacticalPad)

Na segunda etapa o Palmeiras promoveu maior movimentação com Dudu e Rafael Marques nos lados do campo, mas mesmo assim a equipe alviverde apostava demais nas jogadas pelo alto, que não resultavam em chances de gol. Quando o time de Marcelo Oliveira pôs a bola no chão surgiu o gol de Dudu após Barrios servir Robinho que infiltrou na área santista.

Na bola parada Dudu ampliou, mas o Santos teve forças para levar a decisão aos pênaltis, embora a atuação tenha sido aquém do que jogou desde que Dorival Júnior chegou ao comando técnico da equipe. 

Nas penalidades a consagração de outro herói, Fernando Prass, que evitou uma goleada na ida e defendeu a cobrança de Gustavo Henrique, e o castigo ao Santos por ter abdicado de jogar e por não ter ampliado a vantagem inicial obtida na Vila Belmiro, com Marquinhos Gabriel lembrando Alan Kardec no ano passado (praga de Palmeirense?).

Título para lavar a alma do Palmeirense, e de Marcelo Oliveira, que apesar das críticas merecidas pelo péssimo desempenho da equipe no decorrer do ano, soube em uma semana preparar a equipe ajustando pequenos defeitos e valorizar as suas virtudes de jogo para ganhar. O primeiro título em sua arena. Um marco histórico.


Por Diogo R. Martins (@diogorm013)

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Leicester empata com o United e deixa a liderança da Premier League!


No King Power Stadium, Leicester City e Manchester United protagonizaram um grande duelo pela parte de cima da tabela da Premier League. Jogo de bom nível taticamente, onde mesmo atuando fora de casa, os Red Devils tiveram postura voltada para domínio territorial e controle possessivo. O resultado final foi um empate de 1 a 1, com gol de Vardy para o Leicester e de Schweinsteiger para o United. O Manchester City se aproveitou, venceu o Southampton por 3 a 1 e assumiu a liderança da Premier League. Agora, o Leicester ocupa a vice-liderança, com 29 pontos(mesmo número de pontos do Manchester City, porém, sendo superado pelo time de Manchester em critérios de desempate), enquanto que o United ocupa o 3º lugar, com 28 pontos. 

Os comandados de Louis Van Gaal entraram num 3-4-1-2 que variava defensivamente para um 5-2-1-2/5-2-3. Como já citado aqui, buscou ser possessivo e propositor, enquanto que o Leicester City, postado num 4-4-1-1, adotou proposta de jogo mais reativa. 

Na saída de bola dos Red Devils, os laterais espetavam, "empurrando" os wingers adversários para trás, de modo a ganhar terreno pelos lados para a progressão dos zagueiros de lado com bola dominada até trechos iniciais da intermediária ofensiva. Os volantes partiam do espaço entre as linhas de meio e ataque do Leicester para buscar jogo e distribuir. A linha defensiva do United tinha superioridade numérica em relação à primeira linha de marcação do Leicester(3x2) e tinha até muita liberdade para iniciar a construção de jogo, já que muitas vezes os dois homens mais avançados dos donos da casa(Okazaki e Vardy) iniciavam o combate atrás da linha que divide o gramado, buscando diminuir os espaços de Carrick e Schweinsteiger, e conseqüentemente dando mais campo para os zagueiros avançarem com a bola. 

O Leicester marcava predominantemente em bloco baixo e fazia marcação mista, com predominância zonal, porém, com alguns encaixes curtos no setor. Na linha média, Albrighton fazia corretamente o movimento de fechar por dentro junto aos volantes quando a bola caía no flanco oposto para a basculação defensiva, porém, Mahrez muitas vezes era lento para centralizar nesse balanceamento ou mantinha-se com referência fixa no lateral adversário ou num posicionamento sem fixar-se no lateral, sem bascular, porém, mais próximo para proteger o "lado fraco" em caso de virada de jogo. O time de Claudio Ranieri caracterizava-se bastante pela compactação curtíssima e ótima redução de espaços defensivamente, dificultando muito a construção de jogo do United. 

Ofensivamente, os dois atacantes dos Red Devils procuravam desmarques posicionais para movimentar-se como opção no entrelinhas adversário e Martial, procurava com maior frequência a locomoção em diagonais curtas saindo do centro do ataque para buscar jogo em cima do lateral pelo flanco. Destaque também para Juan Mata, que circulava por todo o ataque, movimentava-se sem bola para ser opção na área juntamente com Rooney e Martial quando a bola caía pelo lado, recuava ou abria para dar suporte à construção de jogo e entrar como linha de passe e também buscava a flutuação no entrelinhas, às costas dos volantes adversários. Schweinsteiger também apareceu muitas vezes como "atacador de espaço" na partida, infiltrando em espaços vazios nos corredores entrelinhas e até chegando de trás para ser opção de conclusão na grande área. O controle de jogo do United era tão visível que muitas vezes os zagueiros apareciam como opção de retorno ainda dentro da intermediária defensiva do Leicester. Apesar disso, faltou maior verticalização de jogo em determinadas situações da construção e bem mais movimentações(principalmente dos dois atacantes) visando a ruptura da última linha adversária, além de maior agressividade e objetividade. 

Já defensivamente, o United alinhava Mata com Rooney e Martial para a formação da primeira linha de pressão à saída de bola adversária. Nesses momentos, os volantes subiam a pressão visando cortar as linhas de passe com os volantes do Leicester quando estes apresentavam-se ao centro como opção de passe para os zagueiros. Em fase de defesa organizada, o trio mais avançado chegava a recompor atrás da linha do meio-campo para fechar espaços, manter a compactação entre os setores e pressionar em caso de retorno para reinício da construção adversária, porém, de acordo com a progressão adversária, apenas 7 jogadores acabavam por participar ativamente da fase defensiva: Linha defensiva com 5 jogadores(basculando pro lado da bola e realizando encaixes de perseguições curtas) e os dois volantes(que também balançavam de acordo com a movimentação da bola). Marcação geralmente agressiva(principalmente no setor da bola), buscando dificultar a progressão e forçar o erro adversário. Essa postura defensiva do United no aspecto de intensidade, juntamente com a sua proposta e estratégia controladora, foram os principais motivos pelos quais o Leicester não teve tantos momentos de posse em ataque organizado. 

Quanto aos aspectos ofensivos do Leicester, cabe destacar o inteligente Okazaki, bastante participativo, caindo pelos lados para buscar jogo e quase sempre entrando na área para ser opção junto ao centroavante Vardy quando a bola caía pelo flanco; Os dois volantes, sempre presentes na intermediária ofensiva durante a posse, distribuindo e também buscando movimentações para a formação de sociedades; E Mahrez, com boa mobilidade no último terço, usando bem o "fator drible" e movimentando-se bem em diagonais sem bola quando a posse do Leicester ocorria pelo flanco oposto. 

Nos frames abaixo, pode-se observar alguns dos aspectos mostrados pelas duas equipes e já mencionados no texto: 

Observa-se nas duas imagens acima, o Manchester United postado já em bloco baixo, com as linhas mais recolhidas, no 5-2-1-2/5-2-3. Linha defensiva basculando defensivamente, volantes à sua frente movimentando-se defensivamente de acordo com a movimentação da bola, Mata voltando com um volante e alinhado com Martial e Rooney(Depay na segunda imagem), que defensivamente até davam um combate inicial nos primeiros metros da intermediária defensiva dos Red Devils pelos seus respectivos lados, mas depois de certo avanço adversário, já "largavam" e ficavam mais à frente, já apresentando preocupações ofensivas. 


Na primeira imagem, observa-se o início da construção de jogo do Manchester United. Zagueiros já avançados, ocupando os trechos iniciais da intermediária ofensiva, Leicester com as linhas bastante recolhidas(primeira linha de marcação iniciando o combate nos volantes e deixando os zagueiros livres para progressão com bola), Mata circulando entre as linhas defensiva e média adversárias, Darmian e Ashley Young bastante abertos e espetados pelas beiradas, Carrick e Schweinsteiger à frente da linha da bola(partindo do espaço entre os dois atacantes e a linha média), Rooney locomovendo-se na última linha adversária e atraindo o lateral-esquerdo, enquanto Martial centraliza e prende os zagueiros(proporcionando profundidade). Como foi destacado na imagem, Mahrez não fecha por dentro e mantém a fixação em Ashley Young no lance. Repare o buraco no mesoespaço direito do sistema de marcação do Leicester. Esse espaço poderia ter sido explorado por um dos volantes ou até por Martial, possivelmente recuando pra buscar jogo por ali e abrir espaço na última linha adversária. No segundo flagrante, Mata se apresenta no setor da bola, auxilia na saída de bola, Smalling progride com bola dominada, passando da linha que divide o gramado, Carrick dá opção de retorno um pouco atrás da linha da bola, Schweinsteiger avança e Rooney procura a movimentação entrelinhas, recuando para dar opção de passe vertical curto ao portador da bola e atraindo consigo um zagueiro, que sai em caça setorial curta. Percebe-se no lance, que nessa ocasião, a linha média do Leicester faz corretamente o balanceamento defensivo em função da bola, com Albrighton fechando por dentro, o que dificilmente ocorria quando o United tinha posse pelo lado direito de seu ataque, devido ao comportamento tático de Mahrez nos momentos de basculação defensiva. Na última imagem, observa-se novamente a compactação bem curta dos comandados de Claudio Ranieri atrás da linha da bola. United retém a posse pela direita, Martial busca o desmarque posicional para dar opção de passe no mesoespaço direito do ataque dos Red Devils(sendo perseguido pelo lateral do setor em seu deslocamento), Mata circula na entrelinha, Ashley Young se mantém aberto no lado oposto, Rooney movimenta pra fechar com a linha defensiva adversária e Schweinsteiger prepara-se para aparecer no mesoespaço esquerdo de seu ataque, justamente no espaço entre Mahrez(que novamente não centralizou, mantendo-se atento ao flanco oposto ao da jogada) e os volantes. 


Nos flagrantes acima, percebe-se dois aspectos fundamentais ofensivamente que foram apresentados pelo United diante do Leicester: Amplitude e profundidade! A amplitude era gerada pela presença simultânea de Darmian e Ashley Young em campo ofensivo, bem abertos pelos seus respectivos extremos, sempre apoiando. Já a profundidade se dava pela densa ocupação do entrelinhas adversário e com a correta realização do balanceamento ofensivo entre os dois atacantes, sempre com um deles(geralmente Rooney) fechando entre os zagueiros adversários e "prendendo" a linha defensiva, principalmente nas ocasiões em que o outro recuava pra buscar jogo na entrelinha ou abria pra atrair o lateral. Na primeira imagem, Martial movimenta na entrelinha mais à esquerda, Rooney centraliza no comando do ataque, Mata ataca o mesoespaço direito e Darmian se mantém aberto no lado oposto. Na segunda imagem, novamente o Manchester United tendo "campo aberto" com os dois laterais/alas chegando simultaneamente, Martial flutuando entrelinhas para dar opção de passe ao homem da bola, enquanto que Mata afunda no entrelinhas e se junta à Rooney, sendo opção para verticalização do passe. Novamente, observa-se o posicionamento defensivo de Mahrez, mantendo-se bem mais próximo de Ashley Young do que dos volantes de sua equipe. 


Na primeira imagem, Carrick aparece armando o jogo, Mata recua para dar auxílio à construção e ser linha de passe próxima ao homem da bola, Martial e Rooney movimentam entrelinhas e Schweinsteiger ataca o espaço vazio entre Mahrez(que demorou a fechar por dentro nessa ocasião) e os volantes, projetando-se à frente. Na segunda imagem, Blind progride com bola pelo lado esquerdo do campo ofensivo, Rooney projeta-se como opção no lado da bola, Martial movimenta pra fechar ao centro, enquanto Mata e Schweinsteiger procuram ataque espacial entrelinhas para dar opção ao portador da bola. No terceiro flagrante, Ashley Young conduz pelo lado esquerdo, Depay(que entrou na vaga de Rooney), se projeta às costas do lateral pra receber no fundo, enquanto Mata movimenta sem bola e entra na área pra ser opção junto ao Martial. No quarto flagrante, Mata participa da jogada pelo lado da bola, Ashley Young vai no fundo e Schweinsteiger chega de trás pra ser opção na grande área junto aos dois homens mais avançados. Na última imagem, United ataca novamente pela esquerda e Mata novamente infiltra na área pra ser opção. Fica notória a ausência de movimentações de ruptura na primeira imagem, onde ambos(Rooney e Martial) se projetam pra receber e tabelar no entrelinhas, mas nenhum deles se projeta pra romper a linha defensiva. E isso levando em conta que o posicionamento de Rooney seria propício para tal, podendo entrar em diagonal curta no espaço entre os dois zagueiros para possivelmente receber o passe ruptor. Na última imagem, também nota-se isso. Martial faz a movimentação em diagonal curta para desbordar do espaço às costas do lateral do setor, chamando a atenção do zagueiro daquele lado, de modo abrir um buraco enorme na linha defensiva do Leicester porque o zagueiro do lado oposto não balanceia pro lado da bola pra cobrir o espaço. Rooney poderia ter aproveitado fazendo uma diagonal pra atacar o espaço vazio, podendo receber na área com ótimas chances de marcar, porém, permaneceu inerte no lance. O United tinha boa posse progressiva pelo centro do campo, porém, com a ausência de rupturas, não era possível encaixar um passe final e chegar à grande área adversária. Mesmo com boa fluidez de jogo e boa exploração(com densidade e inteligência) do entrelinhas adversário, o United só conseguia chegar na área do Leicester atacando pelos lados e procurando o cruzamento para a chegada de 3 jogadores como opções de conclusão. 


Em escanteios defensivos, o Leicester marcava individualmente no "bolo da área", com um jogador marcando à zona na primeira trave e um outro jogador protegendo a trave oposta da meta defendida pelo goleiro Schmeichel. O United também marcava os escanteios adversários dessa maneira. No lance do gol do United, que se originou de uma cobrança de escanteio, todos os homens presentes no "bolo da área" buscaram deslocamento em diagonal curta para a primeira trave, enquanto que Schweinsteiger superou seu marcador e atacou o espaço vazio no centro da área para cabecear e marcar. 


*Por João Elias Cruz(@Joaoeliascruzzz)




Fim de semana europeu: City, Leverkusen, Tottenham, Chelsea, Saints e Schalke no resumão

Este término de semana europeu foi, certamente, bastante didático a partir de questões táticas e estratégicas. Porém, como nem todas as partidas entraram no resumo do Velho Mundo, apenas Manchester City-Southampton, Tottenham-Chelsea e Bayer Leverkusen-Schalke 04 serão mais detalhadamente analisados por aqui. Enfim, esse é o trio de ferro do fim de semana. Boa leitura!

Sábado (28/11/2015)

Manchester City-Southampton (3-1)

O City esteve entre um 4-3-3 e um 4-2-3-1 (4-1-4-1 e 4-4-1-1 sem a bola), a depender de Delph e Yaya Touré para variar. Com um início extremamente intenso, marcado por firmes pressões após as perdas de bola para se manter no campo adversário (destaque para Fernandinho), passes velozes e inversões em relação ao lado das jogadas para girar as linhas de marcação rivais (bem Touré) ou acúmulo nos flancos para tabelar e avançar rapidamente (sobretudo pela esquerda), os azuis oprimiram os Saints, também negando os ganhos de terreno vermelhos de duas formas: apertando a saída com força para roubar à frente e tapando opções de passe para forçar erros. Porém, o nível de energias foi caindo e o 1º tempo acabou com domínio do Southampton, mas 2-0 para os de Pellegrini. A queda de intensidade se intensificou depois de um gol desfavorável, já na 2ª etapa, que trouxe um pesar psicológico e 20' muito ruins. O que durou até o gol de Kolarov, que encerrou tudo.

Um ataque azul e seus detalhes
Um complexo instante de pressão alta dos de Manchester
O Southampton começou em um 4-3-3 (4-1-4-1 na fase defensiva). Sem Pellè, em geral o homem a ser ativado por cima e garantir boa parte da construção, ela teve de ser feita por baixo, e a falta de planejamento aí esteve evidente. Basicamente, contrastando com o ímpeto azul em dificultar os avanços, faltavam alternativas de passe verticais - em momentos, qualquer alternativa de passe - e a bola parava tempo demais nos pés de atletas menos qualificados na função de colocá-la à frente bem. Ao defender, apesar de se estruturar inicialmente de maneira sólida, os espaços surgiam após alguns passes curtos ou inversões do Manchester City. Porém, o sucesso do plano adversário estava muito atrelado a condição física e, conforme isso foi caindo, caiu também o domínio do conjunto de Pellegrini. Daí, considerando que os mandantes costumam permitir demais quando tem de recuar muito, houve o crescimento vermelho. Que quase deu o empate, mas não foi suficiente para nada.

Domingo (29/11/2015)

Tottenham-Chelsea (0-0)

O Tottenham compôs um torto 4-3-3, que ao negar espaços virava 4-4-1-1, tendo Eriksen por dentro e Mason alternando entre interior (fase ofensiva) e extremo (defensiva). Diferentemente do que costuma fazer, Pochettino armou uma saída lavolpiana para ter superioridade numérica desde o primeiro passe e diminuir os riscos de um contragolpe azul. Mantendo seu modelo atual de posse, abertura de opções de passe em diferentes alturas do gramado e ataques muito controlados, com laterais avançando juntos, Son-Eriksen entre blocos de marcação adversários, Dier se metendo entre os zagueiros, Kane rodando toda a dianteira e Mason-Dembélé recuando para conectar o time, os Spurs tiveram 59% de tempo com a pelota, sete finalizações, alta fluidez na 1ª parte. Na 2ª, contudo, onde o conjunto teve de mudar nomes, perdeu concentração na execução de mecanismos e influência no meio, só uma jogada terminou em arremate e o 0 a 0 acabou por ficar no placar final.

Desenho de saída de bola do Tottenham
Pontos sobre a organização defensiva do Chelsea
O Chelsea desenhou seu constante 4-2-3-1 (4-4-1-1, naturalmente, sem a posse). Ostentando uma planificação defensiva, onde a ordem principal era permanecer atrás para roubar e acionar o velocíssimo quarteto ofensivo em campo aberto, os Blues mostraram fragilidades na construção de futebol, dando vários 'chutões' a cada pressão mais adiantada dos inimigos londrinos. Nos raríssimos instantes em que os de Mou se estabeleciam na metade de relvado branca, era nítida a tentativa de aproximar o quarteto de frente mais o lateral do lado da jogada, diminuindo o fato de segurar entre quatro e cinco jogadores atrás da linha da bola - algo habitual. Ao se defender, a usual facilidade em se dissolver ante qualquer troca de passes mínima mostrou as caras, oferecendo um razoável número de arremates ao controlador Tottenham; apesar disso, não por uma grande estrutura atrás, Begovic não teve de virar herói. Assim, oscilante em eficiência nas ações, o empate ficou de bom tamanho.

Bayer Leverkusen-Schalke 04 (1-1)

Em um 4-2-3-1, contra o 4-3-3 (respectivamente, 4-4-1-1 e 4-1-4-1 defensivamente) do Schalke, o Leverkusen chegou a ter problemas para se aproximar da área azul, já que subia os laterais para puxar os pontas adversários, perdia qualquer chance de saída por fora e dependia demais de Kampl-Kramer para cravar sua bandeira no território inimigo. Contudo, sobretudo por auxílio dos atletas de frente, que passaram a dar alguns passos para trás, gerar linhas de passe e participar da criação, o Bayer encerrou o 1º tempo com 11 finalizações. Sem um pressing encaixado para não assustar e forçar ligações diretas, Schmidt quis realmente que o Schalke saísse jogando por baixo, para só então apertar em intensidade em buscar o desarme no campo contrário. A 2ª etapa manteve o crescimento dos Leões, que conseguiram manter-se próximos do goleiro Fährmann e, como consequência, deram mais contra-ataques aos comandados de Breitenreiter. No contexto mais aberto, 1 a 1 no placar.

Pressão de Roger Schmidt no campo contrário
Bayer gerando futebol
Almejando contragolpes na maior parte do embate, o que pode ser provado olhando os 36% de posse no intervalo, o Schalke 04 em nenhuma fase do jogo tentou impedir fortemente os ataques do Bayer antes que estes chegassem a seu campo de defesa, aceitando bem a ideia de ter os pontas muito recuados, acompanhando a altura dos laterais rivais. Mas, apesar do forte pontapé de início, transformando as investidas rubro-negras em uma coisa lenta e horizontal o fechamento de espaços caiu em qualidade quando os homens mais ofensivos dos mandantes começaram a se envolver diretamente na transição, expondo certo deserto no meio-campo visitante - causado, também, pelos pontas tão atrás. Todavia, foi possível segurar, chegar vivo ao 2º tempo, marcar o 1 a 0 e viver confortavelmente no caos que virou o cotejo, onde um bom par de pernas estava importando mais do que uma bela mente. Porém, veio o empate e o Schalke garantiu só um ponto na rodada.

Por Lucas Martins (@0MartinsLucas)